Ferrovias
A Ferrovia em Itajubá foi o principal motor de desenvolvimento econômico e integração regional do município entre o final do século XIX e os meados do século XX. Sua chegada permitiu a rapidez na comunicação com centros como Rio de Janeiro e São Paulo, além de possibilitar o escoamento da produção industrial e agrícola local
História e InauguraçãoEditar
As primeiras aspirações por uma via férrea em Itajubá datam da década de 1870, motivadas pela necessidade de superar o transporte penoso por tropas de burros. A construção foi finalmente aprovada graças aos esforços do deputado Silvestre Ferraz.
- Início das Obras: A construção da estrada de ferro que passaria por Itajubá teve início festivo na estação de Soledade de Minas em 23 de fevereiro de 1889
- Primeira Locomotiva: Em 6 de setembro de 1891, a primeira locomotiva, batizada de "Cristina" em homenagem a Silvestre Ferraz, chegou à cidade
- Inauguração Oficial: O tráfego ferroviário em Itajubá foi inaugurado oficialmente em 25 de setembro de 1891 pela Viação Férrea Sapucahy, com a presença do então Governador de Minas Gerais, Cesário Alvim.
EstaçõesEditar
- Estação Provisória: Inicialmente, devido a um grande aterro necessário para chegar ao centro, foi construída uma estação de tábuas nas proximidades da atual Vila Rubens.
- Estação Permanente: A estação definitiva, localizada na Praça Pereira dos Santos, foi inaugurada em 22 de janeiro de 1893. Após a desativação da ferrovia, o prédio foi restaurado na década de 1980 e transformado no Museu Municipal.
Evolução e CompanhiasEditar
A malha ferroviária que atendia Itajubá passou por diversas mudanças administrativas ao longo das décadas:
- Viação Férrea Sapucahy: Empresa original que inaugurou a linha
- Rede Sul Mineira (RSM): Criada em 1910 pela fusão das vias férreas Sapucahy, Muzambinho e Minas and Rio. A fusão oficial definitiva sob esta denominação ocorreu em 6 de abril de 1922
- Rede Mineira de Viação (RMV): Denominação posterior da rede, que foi eventualmente encampada pela RFFSA
Ramais e ConexõesEditar
A ferrovia ligava Itajubá a diversos municípios sul-mineiros e aos estados vizinhos
- Ramal de Delfim Moreira (Itajubá Velho): Construído com auxílio do 4º Batalhão de Engenharia, ligava Itajubá à localidade serrana de Delfim Moreira. O último trem deste ramal correu em 28 de março de 1957
- Ramal de Paraisópolis: Partia de uma bifurcação em Piranguinho. O tráfego neste trecho foi suprimido em 28 de maio de 1963
Impacto no DesenvolvimentoEditar
A ferrovia foi essencial para a industrialização de Itajubá:
- Indústria Têxtil: A Fábrica de Tecidos Codorna possuía um desvio nos trilhos que chegava próximo à sua entrada lateral para facilitar carga e descarga
- Apoio Militar: O trem suburbano, conhecido como "Trenzinho do Pacatito", levava operários e militares da estação central até a Fábrica de Armas (IMBEL) e ao quartel do 4º Batalhão de Engenharia de Combate. Correu pela última vez em 17 de abril de 1968
- Cultura e Sociedade: A estação era o ponto de recepção de grandes figuras políticas e intelectuais, como Israel Pinheiro em 1937 e Teodomiro Santiago em 1933
Incidentes HistóricosEditar
- Desastre de 1926: Em 25 de março de 1926, ocorreu o maior desastre ferroviário do Sul de Minas, quando um trem caiu em um vale ao descer a serra de São João, resultando em mortes e feridos
- Revolução de 1932: Durante o conflito, comboios com tropas do Exército passavam frequentemente por Itajubá com destino às frentes de combate em Passa-Quatro. Um canhão do couraçado "Minas Gerais" chegou a ser transportado por trilhos pela cidade
DesativaçãoEditar
Com a expansão das rodovias asfaltadas e do transporte por ônibus (como a Pássaro Marron a partir de 1949), a ferrovia tornou-se deficitária. Os trilhos começaram a ser retirados de forma sistemática a partir de 1959, marcando o fim da era ferroviária ativa no perímetro urbano