Sociedade Beneficente Itajubense
A Sociedade Beneficente Itajubense foi uma instituição filantrópica pioneira fundada no município de Itajubá, Minas Gerais, no final do século XIX. Criada com o objetivo de oferecer assistência hospitalar a pobres e indigentes enfermos, ela foi a semente que deu origem à atual Santa Casa de Misericórdia de Itajubá.
História e Fundação[editar]
A instituição foi fundada em 2 de maio de 1897, por iniciativa de Arlindo Vieira Goulart (conhecido carinhosamente como Sr. Rolindo).[1] Goulart, um cidadão de poucos recursos financeiros mas de grande espírito humanitário, reuniu 32 pessoas ilustres em sua própria residência para expor a necessidade urgente de um nosocômio na cidade.
Naquela reunião inaugural, a ideia foi aprovada e o nome "Sociedade Beneficente Itajubense" foi escolhido. Como Goulart não era rico, ele mantinha a instituição por meio de esmolas que angariava e mensalidades de mil réis pagas pelos sócios.
Primeira Diretoria (1897) A primeira Mesa Administrativa eleita para gerir a sociedade foi composta por:
- Presidente: Antônio Cândido Rennó.
- Vice-Presidente: Henrique de Sousa.
- Secretário: Sebastião Cabral.
- Tesoureiro: Arlindo Vieira Goulart.
- Procurador: Manuel Baptista de Carvalho.
- Zelador: João Emílio Salomon.
- Orador: Cândido Prado.
- Conselheiros: José Manso Pereira Cabral, Olímpio de Magalhães, João Baptista de Miranda e Ismael Pinto de Noronha.
Instalações e Funcionamento[editar]
A Sociedade começou a operar em uma sala alugada de uma velha casa localizada na esquina da Rua Cel. Rennó com a Travessa Municipal (atual Rua Comendador Schumann), na Praça Dona Amélia Braga. O primeiro médico da instituição foi o Dr. Antonio Maximiano Xavier Lisboa, que prestou serviços gratuitamente por décadas, recusando qualquer remuneração. Ainda como acadêmico de medicina, o Dr. João Sebastião Ribeiro de Azevedo também auxiliou nos atendimentos aos enfermos da Sociedade.
Padroeiro e Devoção[editar]
O orago escolhido para a instituição foi São José, sugestão dada pelo Dr. José Manuel Pereira Cabral. Uma imagem do santo, vinda do Rio de Janeiro, foi doada por D. Ana Maria de Jesus Lima e entronizada em um altar da capela da Sociedade.
Transição para Santa Casa de Misericórdia[editar]
Ao longo de três anos, a Sociedade acumulou um fundo de reserva de 9:693$129 réis. Em 10 de outubro de 1900, devido ao crescimento da demanda e à necessidade de adequação legal para receber legados importantes (como o testamento do Dr. Domiciano da Costa Moreira), a associação foi reorganizada e renomeada para Santa Casa de Misericórdia de Itajubá. Arlindo Vieira Goulart, o fundador original, continuou a atuar na nova fase como fiscal da Mesa Administrativa. Em 25 de dezembro de 1901, todo o arquivo da extinta Sociedade Beneficente Itajubense foi oficialmente recebido pela administração da Santa Casa, concluindo o processo de transição.
Sócios Fundadores Pioneiros[editar]
Entre os primeiros sócios que responderam ao apelo de Arlindo Goulart em 1897 figuram nomes tradicionais da sociedade itajubense, como:
- Antônio Salomon, Filinto Nogueira, Dr. Luís Rennó, João Strutz, Higino Miranda, José Alves da Rocha Pereira, Luís Teixeira, Miguel Ramos de Lima e Francisco Leite de Queiroz.
Referências[editar]
- ↑ Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1972, p. 30. Armelim Guimarães. Construtores de Itajubá. 1975, p. 15.