Primeiros Habitantes

De História de Itajubá - Wiki
Revisão de 09h14min de 3 de junho de 2026 por FonteBot (discussão | contribs) (Reconcilia páginas das citações com a numeração impressa)
(dif) ← Edição anterior | Revisão atual (dif) | Versão posterior → (dif)
Ir para navegação Ir para pesquisar

A história dos primeiros habitantes da região que hoje compreende o município de Itajubá, em Minas Gerais, envolve tanto povos indígenas originários quanto os primeiros colonizadores não-indígenas que chegaram à área, culminando na fundação do povoado que daria origem à cidade atual.

Povos Indígenas

A região onde se situam Itajubá e Cristina, no sul de Minas, cercada pela Serra da Mantiqueira, começou a ser mais intensamente explorada por não-indígenas a partir do século XVIII. Esta área, próxima à divisa com São Paulo, era rota para exploradores em busca de pedras preciosas e indígenas para escravização.

Escritores locais, especialmente os mais antigos, frequentemente mencionam os indígenas ao abordar a origem dos nomes de lugares, mas oferecem poucas informações sobre outros aspectos de sua presença na região. Versões populares iniciais, como as de Bernardo Saturnino da Veiga e Pedro Bernardo Guimarães, associavam a etimologia de "Itajubá" a "pedra amarela", baseando-se em supostas menções indígenas. No entanto, estudos posteriores, como os de Armelim Guimarães e Geraldino Campista, contestam essa interpretação, afirmando que a palavra Itagybá (forma primitiva de Itajubá, com tônica no "a") significa "água que, do alto, cai sobre a pedra", referindo-se a uma cascata na área urbana da atual cidade de Delfim Moreira. (Ver Etimologia de Itajubá.)[1]

De acordo com Armelim Guimarães, os indígenas que habitavam o território itajubense eram descendentes dos povos Puri e Coroado, formando o grupo Puri-Coroados. Eles são descritos como não belicosos ("mansos"), usando armas principalmente para caça ou defesa, vivendo nus e com poucos recursos. Diferentemente de seus ancestrais Puri, não dominavam a cerâmica ou a fabricação de redes, e dormiam no chão.[2]

Há indícios de possíveis tribos indígenas anteriores aos Puri-Coroados na região, evidenciados por descobertas arqueológicas. Urnas funerárias de barro cozido ("igaçabas" ou "camotins") foram encontradas no Morro Grande, na Serra do Pouso Frio e perto da foz do rio Lourenço Velho, além de pedaços encontrados durante escavações no rio Sapucaí, na várzea do Pacatito. Como os Puri-Coroados supostamente jogavam seus mortos no rio e não usavam cerâmica, conclui-se que essas urnas foram feitas por tribos anteriores. Rústicos machados de pedra ("pedras-de-raio", segundo a crença popular local) feitos de sílex, gnaisse, diorito e calcita também foram encontrados.[3]

A língua dos povos indígenas deixou sua marca em vários topônimos locais, como Itajubá, Jerivá, Juru, Anhumas, Sapucaí, Piranguçu, Capetinga, Ibitira e Mantiqueira.

Há registros de que famílias de descendentes de indígenas ainda viviam no bairro rural da Rosetinha (a cerca de cinco léguas da cidade) no final do século XIX. A presença indígena na região se mantém até os dias atuais; segundo o Censo de 2010, havia 41 indígenas em Itajubá.[nota 1]

O Povoamento Não-Indígena Inicial

A história da atual Itajubá está intrinsecamente ligada à da primitiva Itajubá, hoje município de Delfim Moreira. Fundada em 1703 pelo bandeirante paulista Miguel Garcia Velho, essa localidade serrana, originalmente chamada Nossa Senhora da Soledade de Itagybá, surgiu a partir da descoberta de minas na área. A exploração de ouro, no entanto, foi breve e pouco produtiva, levando os que ficaram a se dedicar à agricultura e pecuária.[4]

O povoamento da área da atual Itajubá (então conhecida como Boa Vista do Sapucaí) começou mais tarde, entre o fim do século XVIII e o início do XIX. Antônio de Oliveira Lopes, apelidado "Fraca-Roupa" por Tiradentes, atuou como "piloto" (topógrafo) na região, mapeando as terras para a distribuição de sesmarias. Ele viveu pelos matos, misturado aos índios Puri-Coroados, e é considerado um dos "construtores" da nova Itajubá. Residentes da antiga Soledade começaram a se mudar para a nova área nas primeiras décadas do século XIX.[5]

Quilombo da Berta e a População Escravizada

Artigo principal: Quilombo da Berta

A presença de africanos na região de Itajubá remonta a antes da fundação da cidade, devido à existência do Quilombo da Berta. Berta, um bairro ao sul do município, é citada como um refúgio para escravos fugidos das senzalas do sul de Minas e norte de São Paulo. O arraial de Anhumas, próximo à Berta, existia desde 1810 e é acreditado ter sido iniciado por esses escravos fugidos.[nota 2]

A população escravizada em Itajubá era significativa no século XIX, com números variando ao longo dos anos. As fontes mencionam origens como Congo, Costa, Loanda, Guiné e Benguela (Angola).

Notas

  1. O dado do Censo de 2010 provém do IBGE, não das obras digitalizadas; incluir a referência oficial na revisão.
  2. As afirmações sobre o Quilombo da Berta e o arraial de Anhumas ainda não foram localizadas nas obras digitalizadas; confirmar em fonte antes da publicação. O tema é detalhado no artigo Quilombo da Berta.

Referências

  1. Armelim Guimarães. Itajubá e Sua História (I Parte). 1998.
  2. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 20.
  3. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 23. Resumo Didático da História de Itajubá. 2000, p. 12.
  4. Dermeval José Pimenta. História de Itajubá (1819–1969). 1969.
  5. Armelim Guimarães. Construtores de Itajubá. 1975, p. 6.