Geraldino Campista

Revisão de 09h19min de 3 de junho de 2026 por FonteBot (discussão | contribs) (Adiciona referências às obras do acervo)
(dif) ← Edição anterior | Revisão atual (dif) | Versão posterior → (dif)

Geraldino Campista foi um historiador e tupinólogo brasileiro, reconhecido por suas contribuições significativas para o estudo da história e da etimologia da região de Itajubá, no Sul de Minas Gerais. Descrito como um pesquisador "provecto e criterioso" e "paciente estudioso do nosso passado", sua obra é fundamental para a compreensão das origens da cidade.[1]

Vida e FamíliaEditar

Geraldino Campista era advogado. Ele era irmão de Cel. Evaristo da Silva Campista, farmacêutico e político local, e de D. Amélia de Magalhães Campista. Era, portanto, tio de Ernestina.

Foi um dos fundadores da Biblioteca Machado de Assis em Itajubá, no ano de 1883.[2]

É importante distingui-lo de outros indivíduos com nomes semelhantes presentes na história de Itajubá, como seu irmão Cel. Evaristo da Silva Campista, o Dr. Geraldino Furtado de Medeiros (advogado, jornalista e educador), e o Dr. Salústio Campista (Juiz de Direito).

Contribuição para a Etimologia de ItajubáEditar

Artigo principal: Etimologia de Itajubá

Geraldino Campista é a principal referência para a etimologia correta do topônimo Itajubá. Ele estudou corretamente a etimologia da palavra, concluindo que sua origem está na língua tupi e significa "cachoeira" ou "cascata".

Sua análise se baseou na forma original e grafia indígena da palavra, Itagybá (com "GY"). Segundo seus estudos e os de outros tupinólogos como Correia de Faria, a palavra pode ser decomposta em:

  • Ita: pedra (em palavras compostas, pode significar "das pedras").
  • Y (ou Gy, ou Ju por corruptela): água, rio.
  • (ou Abae): forma do particípio presente do verbo "A" (cair de cima, do alto).

Assim, Ita-gy-bá (ou Ita-y-abae) significa "lugar onde o rio das pedras cai de cima", ou seja, "cachoeira do rio das pedras", resumindo-se a "cachoeira" ou "cascata".

O nome Itagybá foi dado em referência à cascata existente na área urbana da atual cidade de Delfim Moreira, que era a primitiva localização do povoado conhecido como Nossa Senhora da Soledade de Itagybá. A forma Itajubá surgiu posteriormente por corruptela.

Campista refutou enfaticamente a versão popular e incorreta de que Itajubá significaria "pedra amarela". Ele demonstrou que essa confusão decorre da semelhança com a palavra itajuba (paroxítona, tônica no "u"), que pode significar "pedra amarela", mas que o topônimo da cidade, Itajubá (oxítona, tônica no "á"), não comporta esse significado, de acordo com as regras do tupi. O historiador Armelim Guimarães reconheceu ter cometido esse equívoco no passado, corrigindo-se após estudar a monografia de Geraldino Campista.[1]

Pesquisa HistóricaEditar

Além da etimologia, Geraldino Campista dedicou-se ao estudo da história antiga da região de Itajubá. Sua pesquisa abrangeu o período de 1703 a 1832, focando no povoado original de Itagybá (atual Delfim Moreira).

Seu trabalho se baseou na análise de documentos históricos do século XVIII, como a "Justificação de Inácio Caetano Vieira de Carvalho", que ele transcreveu em sua monografia. Através dessa documentação, ele confirmou a presença e a atuação do bandeirante Miguel Garcia Velho na descoberta das minas de Itagybá e a fundação do povoado em 1703, refutando outras atribuições.

Campista também descreveu a geografia da bacia do Rio Sapucaí e seus afluentes, confirmando a fertilidade do solo na região. Ele detalhou a organização do povoado de Itagybá como um "julgado" até 1762. Além disso, abordou as famílias que descendiam dos primeiros descobridores da região.

Em seus escritos, Campista também comentou sobre a atitude do Padre Lourenço da Costa Moreira, fundador da nova Itajubá, em relação à antiga sede paroquial (Delfim Moreira), que ele chegou a qualificar como "cemitério dos vivos".[1]

Obra PrincipalEditar

A obra mais citada de Geraldino Campista é sua monografia intitulada "Itajubá: (1703-1832)". Este trabalho foi apresentado ao Primeiro Congresso de História Nacional e publicado na "Revista do Instituto Histórico Mineiro", e também como separata pela Livraria J. Leite, no Rio de Janeiro. Nesta monografia, ele explora a história da antiga Nossa Senhora da Soledade de Itagybá (hoje Delfim Moreira) e a etimologia do seu nome.[3]

LegadoEditar

Geraldino Campista é reconhecido como um pesquisador rigoroso cuja obra serviu de base para historiadores posteriores, como José Armelim Bernardo Guimarães. Sua pesquisa sobre a etimologia de Itajubá é considerada definitiva e desmistificou a crença popular da "pedra amarela".

ReferênciasEditar

  1. 1,0 1,1 1,2 Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 42.
  2. Armelim Guimarães. Efemérides Itajubenses. 1988. (Fundação da Biblioteca "Machado de Assis", 25 de janeiro de 1883.)
  3. Armelim Guimarães. História de Itajubá. 1987, p. 158.