Comissão de Senhoras
Comissão de Senhoras em Itajubá refere-se a diversos agrupamentos de mulheres da elite local que, entre meados do século XIX e meados do século XX, organizaram-se para liderar movimentos filantrópicos, abolicionistas, religiosos e de recepção oficial no município. Essas comissões eram geralmente compostas por esposas de autoridades e grandes proprietários, exercendo influência direta na vida social e política da cidade.
Atuação Abolicionista (1887–1888)Editar
Uma das comissões de maior impacto histórico foi a organizada em dezembro de 1887, voltada para a Libertação da Cidade. Por inspiração de figuras ilustres, o grupo foi formado com o objetivo de obter a liberdade de todos os escravos residentes no perímetro urbano de Itajubá antes da inauguração da estrada de ferro Sapucaí.
- Liderança: A comissão foi presidida por D. Emiliana Cobra Olinto, esposa do então Juiz de Direito da Comarca, Dr. Adolfo Augusto Olinto.
- Resultados: O empenho desta e de outras comissões culminou no evento de 11 de março de 1888, quando Itajubá declarou a extinção da escravidão em seu território, dois meses antes da Lei Áurea, ganhando o epíteto de "Cidade Luz".
Atuação Religiosa e a Nova Igreja Matriz (1884)Editar
Em 1884, uma comissão composta por "piedosas senhoras" foi fundamental para as solenidades de inauguração da nova Igreja Matriz de Nossa Senhora da Soledade e para a transladação processional das imagens sacras vindas da Capela dos Remédios.
- Membros de Destaque: D. Cândida Rennó (esposa de João José Rennó), D. Ana Maria de Jesus Lima (esposa de Fructuoso Ramos de Lima), D. Amélia Cândida Vianna Braga (esposa de Miguel Carlos da Silva Braga) e D. Maria Macedo Magalhães (esposa do Dr. Aureliano Moreira Magalhães).
- Outras Atividades: No mesmo período, essa comissão foi encarregada pela Mesa da Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte para angariar donativos para a festa da padroeira.
Recepção Imperial (1868)Editar
Por ocasião da visita da Princesa Isabel e do Conde d'Eu a Itajubá, em 2 de dezembro de 1868, o então Agente Executivo Municipal (Prefeito), Padre Antônio Caetano Ribeiro, nomeou uma comissão que incluía dezenas de autoridades e senhoras da sociedade.
- Objetivo: Organizar os preparativos para a hospedagem, o adorno da cidade e o protocolo das festividades imperiais.
- Ações: A comissão coordenou o embandeiramento do templo, a preparação de fogos de artifício e a logística para receber a comitiva imperial, que permaneceu dois dias na cidade.
Atuação Trabalhista e Política (Fábrica Codorna)Editar
Em registros de história oral sobre a Fábrica de Tecidos Codorna (ativa entre 1914 e 1966), menciona-se a existência de uma "comissão de mulheres" ou "comissão de senhoras" que atuava no ambiente fabril e político.
- Papel Político: Antigos operários relatam que essa comissão teve papel decisivo em convencer lideranças locais a se envolverem na política institucional. O operário e sindicalista Pompeu José Antônio citou que aceitou candidatar-se a vereador (sendo eleito em 1962) após o apelo e apoio direto recebido dessa comissão de mulheres da fábrica.
Membros Históricos NotáveisEditar
Diversas senhoras da elite tradicional de Itajubá foram recorrentes nestas comissões ao longo das décadas:
- D. Emiliana Cobra Olinto: Líder do movimento abolicionista feminino.
- D. Ana Maria de Jesus Lima: Benemérita da Santa Casa e da Igreja Matriz.
- D. Amélia Cândida Vianna Braga: Protetora das Irmãs da Providência e ativa em causas paroquiais.
- D. Cândida Rennó: Envolvida em comissões de obras religiosas e assistência social.